Chega de fórmulas,
definições baratas,
teorias vazias!
Chega de física,
matemática
e geometria!
Penso que sei muito
mas na verdade não sei nada.
Não sou nada,
vegeto,
sou vazia...
Sei achar áreas,
extrair raízes,
identificar sujeitos e pronomes.
Muito sobre biologia, Moscou, Berlin.
Mas por que tudo isso,
se tão pouco interessa a mim?
Quem sou?
Por que vim?
O que quero, enfim?
Olho para o céu.
Vejo estrelas ao longe,
distantes e misteriosas.
Sinto o infinito em mim
perdido na escuridão do meu ser
ridículo e pequeno,
imperceptível ao universo
oculto e mágico,
gigantesco e fantástico.
Em volta de mim,
multidões de ratos,
máquinas e fumaça,
homens de massa.
E toda essa natureza morta
em minha volta!
Esqueço os números,
esqueço o mundo.
Me liberto da matéria e da miséria,
das promessas de horizontes
armados e pintados.
E, rumo às estrelas,
num voo profundo e eterno...
Verônika Maia e Souza
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Renascimento - 1974
Caminhando contra o mundo,
na vazia contra-mão,
caí num buraco fundo,
sozinha com a solidão.
Lá de baixo via gente,
_ se assim se pode chamar,
gente que gente não sente,
que nos obriga a calar.
Mas aos poucos fui subindo,
sozinha, pra muito além;
outra estrada fui seguindo,
sem ajuda de ninguém.
Recomecei a viver,
aos poucos, devagarinho.
E custei para entender
que ninguém vive sozinho.
Realmente viver só
é difícil, está provado
a gente acaba num nó
e num buraco afundado.
Mas uma coisa eu digo.
Nada se faz sem ter fé.
Do rico ao pobre mendigo,
Sem Cristo nada se é.
Verônika Maia e Souza
na vazia contra-mão,
caí num buraco fundo,
sozinha com a solidão.
Lá de baixo via gente,
_ se assim se pode chamar,
gente que gente não sente,
que nos obriga a calar.
Mas aos poucos fui subindo,
sozinha, pra muito além;
outra estrada fui seguindo,
sem ajuda de ninguém.
Recomecei a viver,
aos poucos, devagarinho.
E custei para entender
que ninguém vive sozinho.
Realmente viver só
é difícil, está provado
a gente acaba num nó
e num buraco afundado.
Mas uma coisa eu digo.
Nada se faz sem ter fé.
Do rico ao pobre mendigo,
Sem Cristo nada se é.
Verônika Maia e Souza
Pedro Preto
Nasce Pedro
pobre e preto;
sente sede
frio e fome;
Cresce Pedro
pobre e preto
leva fama
cai na lama
Pedro homem,
pobre e preto
bebe cana
afoga a chama.
Morre Pedro
pobre e preto
na rude terra
a vida encerra
Verônika Maia e Souza
pobre e preto;
sente sede
frio e fome;
Cresce Pedro
pobre e preto
leva fama
cai na lama
Pedro homem,
pobre e preto
bebe cana
afoga a chama.
Morre Pedro
pobre e preto
na rude terra
a vida encerra
Verônika Maia e Souza
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