terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um Voo Eterno - 8 de maio de 1976

Chega de fórmulas,
definições baratas,
teorias vazias!

Chega de física,
matemática
e geometria!

Penso que sei muito
mas na verdade não sei nada.
Não sou nada,
vegeto,
sou vazia...

Sei achar áreas,
extrair raízes,
identificar sujeitos e pronomes.
Muito sobre biologia, Moscou, Berlin.
Mas por que tudo isso,
se tão pouco interessa a mim?

Quem sou?
Por que vim?
O que quero, enfim?

Olho para o céu.
Vejo estrelas ao longe,
distantes e misteriosas.
Sinto o infinito em mim
perdido na escuridão do meu ser
ridículo e pequeno,
imperceptível ao universo
oculto e mágico,
gigantesco e fantástico.

Em volta de mim,
multidões de ratos,
máquinas e fumaça,
homens de massa.
E toda essa natureza morta
em minha volta!

Esqueço os números,
esqueço o mundo.
Me liberto da matéria e da miséria,
das promessas de horizontes
armados e pintados.
E, rumo às estrelas,
num voo profundo e eterno...

Verônika Maia e Souza

Renascimento - 1974

Caminhando contra o mundo,
na vazia contra-mão,
caí num buraco fundo,
sozinha com a solidão.

Lá de baixo via gente,
_ se assim se pode chamar,
gente que gente não sente,
que nos obriga a calar.

Mas aos poucos fui subindo,
sozinha, pra muito além;
outra estrada fui seguindo,
sem ajuda de ninguém.

Recomecei a viver,
aos poucos, devagarinho.
E custei para entender
que ninguém vive sozinho.

Realmente viver só
é difícil, está provado
a gente acaba num nó
e num buraco afundado.

Mas uma coisa eu digo.
Nada se faz sem ter fé.
Do rico ao pobre mendigo,
Sem Cristo nada se é.


Verônika Maia e Souza

Pedro Preto

Nasce Pedro
pobre e preto;
sente sede
frio e fome;

Cresce Pedro
pobre e preto
leva fama
cai na lama

Pedro homem,
pobre e preto
bebe cana
afoga a chama.

Morre Pedro
pobre e preto
na rude terra
a vida encerra

Verônika Maia e Souza