terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um Voo Eterno - 8 de maio de 1976

Chega de fórmulas,
definições baratas,
teorias vazias!

Chega de física,
matemática
e geometria!

Penso que sei muito
mas na verdade não sei nada.
Não sou nada,
vegeto,
sou vazia...

Sei achar áreas,
extrair raízes,
identificar sujeitos e pronomes.
Muito sobre biologia, Moscou, Berlin.
Mas por que tudo isso,
se tão pouco interessa a mim?

Quem sou?
Por que vim?
O que quero, enfim?

Olho para o céu.
Vejo estrelas ao longe,
distantes e misteriosas.
Sinto o infinito em mim
perdido na escuridão do meu ser
ridículo e pequeno,
imperceptível ao universo
oculto e mágico,
gigantesco e fantástico.

Em volta de mim,
multidões de ratos,
máquinas e fumaça,
homens de massa.
E toda essa natureza morta
em minha volta!

Esqueço os números,
esqueço o mundo.
Me liberto da matéria e da miséria,
das promessas de horizontes
armados e pintados.
E, rumo às estrelas,
num voo profundo e eterno...

Verônika Maia e Souza

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