quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Crise Existencial

Estava sentada,
acomodada na minha estória
e o meu papel dado a representar,
quando de súbito alguma coisa,
alguma coisa que não sei explicar
me invadiu a alma, me penetrou
o espírito e me calou a razão.
Parei.
Conscientizei o normal:
O sol, o céu
todo o universo das estrelas
cometas e planetas,
o Mar.
Chorei a minha fragilidade
e achei graça da minha ignorância
da minha eterna insignificância
e pobreza
perante tudo o que está além
das quatro portas da Terra.

Sinto, mas não consigo explicar
essa energia que me agita
a alma e me rompe as estruturas.

Ah! A minha pobre existência
submissa e banal!

A minha loucura real
cercada de normas
e de leis!!


Verônika Maia e Souza

Em Vão

Por ironia do destino,
por apatia minha, talvez,
deixei que me fechassem as portas,
deixei que me trancassem a voz.

Calei e fiquei calada,
fiquei muda, parada.
Sozinha – chorei.

Minhas lágrimas cessaram
de cair.
Meus olhos cansaram
de chorar.
Sem motivo – sorri.

Sorri um riso sem cor,
um riso desbotado, riso de dor...
sem razão – vivi.

Por ironia do destino,
por apatia minha, talvez,
deixei que me matassem.
Em vão parti.

Verônika Maia e Souza

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quase Tudo – out/1974

Cantando, amando.
Vivendo uma vida,
sorrindo, vivendo.
Cantando um sorriso.
Chorando, partindo,
partindo sem dor.
Amando um sorriso,
sorrindo um amor.
Sofrendo e chorando,
correndo da dor.
A mando o nada,
de nada vivendo,
de nada morrendo,
de tudo nascendo...

Verônika Maia e Souza

Inconsciência - dez/1974

Massa que passa,
gente que anda
de olhos vendados.
Trapezistas da vida,
parasitas calados,
mitos esquecidos.

Não param,
não pensam,
continuam andando,
pisando na terra,
esmagando um ser.
Sem medo de terem,
na consciência uma pedra.
Sem medo de serem
mais tarde um pó.
Talvez uma pedra
inerte no mundo,
vazia e só.

Agora, silêncio.
Sem vozes, sem tiros,
sem música nem canto.
A noite escurece,
a gente apodrece
pra sempre num pranto...


Verônika Maia e Souza